sexta-feira, 9 de novembro de 2007

EMIGRANTE

Vejo em teu rosto
o cansaço que carregas no ombro
e no teu olhar, os anos de seca
fome e a nostalgia de ter que sair do teu ninho
Deixar em cabo verde, o teu cantinho
Teu Kretcheu
e procurar uma vida melhor aqui fora.

Mas nos teus olhos existe o orgulho
de teres vencido todas as entraves
e ganhar respeito da sociedade.

Pelo teu falar e teu veste
sinto a firmeza dum cidadão engajado
em servir e honrar o teu berço
também
Pelo teu calar, perserverança e nobreza
por tratar seu ente com toda a morabeza
queria aqui humildemente te dizer obrigado
senhor e meu amigo emigrante.

Obrigado
a você que saiu à procura
de um melhor viver aqui fora
e não esqueceu da nossa cachupa
nem do sabor da nossa camoca.

Obrigado
a você, meu amigo que luta até agora
pelo respeito e dignidade em terra de gente.
Por lutar por uma vida melhor
para os seus filhos e família que ficou
na nossa terra, nossa mãe.

Obrigado
Meu amigo imigrante
de Mesquita, do Brasil
por me ter dado tantas alegrias
e fazer meu coração bater a mil.

Obrigado
Muito obrigado meu senhor emigrante
Por ser o embaixador indefesso
da minha cultura
da nossa morabeza
pelo mundo que nos atura.

Rui Delgado

trevas

Pensei que em nenhum momento
Conseguiria a minha felicidade.
Fazia de conta estar contente
mas minha vida já era caridade.

A minha natureza era só treva;
já não havia vontade de viver.
Não queria amar mais ninguém na terra
não queria mais saber de sofrer.

Ao meu amor, lutei demais
para lhe conseguir, mas em vão
e ficou frustrado o meu coração.

Pensei que a felicidade era ilusão
E já não acreditava no amor
e o que me restava era morrer de dor.


Rui Delgado

Dor de amor.

Amei alguém sem medida
Sem pensar na minha vida.
Deixei tudo e entreguei ao amor
Destimido da partida e da dor.

Entreguei demais à ilusão
Voei alto e esqueci da terra.
E por fim, sofreu o meu coração
Por aquele amor que já era.

AMOR? Para mim, já não existe
Essa ilusão que me acompanhava
Todo o dia pensando que me amava.

Amei demais alguém que
Nem o seu anel me quis dar
E me fez ficar num universo de dor.


Rui Delgado.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

maj um vez, bô.

M te ftchá oi e m te imaginam na boj bróce.
nha corpo junte de quel de bóssa,
te vibrá intensamente,
a um toque livim de boj mon.
m te oiá bo boca te procurá quel de minha
e min de tchel te esperá.
m te coscóbe logue um beijo profundo
que te fezem logo delirá.
m crebe junto ma mim
sintí bo tcher e oiá bo corpo inter
nua e calorosa.
nha peito côlóde na quel de bóssa
sinti bo caração aceleróde
que te aumentá a cada carinho que m ta dóbe
pois min de consegui controlá nhas mon.
Tudo ê tão gostoso.
até toque de nôs boca
que simples beijos te fezem arrepiá
despertando mais ainda a minha louca vontadede poder te amar.
Ne bo rosto, m te oiá expressão de desejo
m te sinti boj mon na nha corpo ta desliza.
e tude nha ser te estremecê
e m te tchá nasce quel vontéde
de entregá à bô e têbe
na nhas bróce suadinha, quentinha, molhadinha...
M ti te desejobe como nunca,gatinha
M cria bo corpo li agora pam cobril de beijos quentes.
M te precisá de bo como nunca m precisá de nha lode.
M ca sabê vivê sem calor de bô corpo.
Toque de boj mon e de bo boca,
Que ta dzem coisinhas sebim e que ta levam a loucura...
É AMOR?... É PAixão?... É desejo?
É tudo!
M ta completamente drogóde pa bô.
M crê perdê razão
e sô voltá à realidade conde, noj doj junte
explodi de prazer.... MI MA Bô.

Rui Delgado

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Auto retrato

Reconheço a minha falha
Uma vez que nunca me
Imaginara ser como sou hoje.

Muitas vezes tentei me
Emendar, mas para quê lutar contra um
Destino tão cruel como o meu?
Imagino e entendo como pode
Não compreender nunca
A minha posição face às coisas

Das quais, face a sua opinião.
Entendo perfeitamente as minhas
Loucuras e tolices feitas
Guardo dentro de mim
As minhas amarguras e aventuras
Durante a minha inteira vida
O que em momento algum farei

Será o de os desbocar.
O que eu sou, somente eu
Um dia, talvez o direi, pois

Em momento algum serei
Usado com acusado.

Rui Delgado

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

UM CHAMAMENTO.

Vem dormir comigo
Esta noite em minha cama
Entre os meus braços.

Vem para me dizer que eu sou seu
E que tu és minha.

Oh minha doce amada
Oh minha donzela
Foste tu que me tiraste
Das trevas
E me trouxeste À luz do dia.
Oh minha deusa
Estou desesperado.
Se um só dia não te ver
Parece-me um século
E quando apareces
É uma grande festa
É emoção
Vontade de te pendurar no pescoço
E te beijar o dia todo.

Quando vens dizer-me que me amas
As flores brilham
O meu rosto alegra-se
E as plantas crescem de alegria.

Mas quando digas que me detestas
As flores murcham
O meu rosto entristece
E o céu torna-se escuro.

Meu amor
O que eu fiz para merecer
Ser recusado desse jeito?
Por favor, diga-me!
Diga-me o que fiz
Para cair novamente nas trevas?

Não, não sabia que me farias assim.
Nunca pensei que a tua frieza fosse tanta.
O meu coração dispadece de tanto chorar.
Os meus sentidos perderam no espaço.

Fostes e me deixaste aqui sozinho
Como alguém sem pai e mãe.
Eu também estou órfão
Estou órfão de amor.

Fizeste-me sofrer
Fizeste-me perder os meus sonhos.
Perco e não consigo me encontrar.

Oh sol ardente e rubro
Oh lua nova, serena e branda!...
Oh mar tranqüilo.
Acudam-me, por favor.
Ouçam os meus brados
Porque estou perdido.

Foi tudo por causa de uma...

Mas...
Espera aí.
O que falei?
Não isso não é verdade.
Só poderia estar a sonhar.

Meu amor, abafa a minha voz
Sabes que se eu te deixar, ai de mim.

Mas porque é que não consigo me controlar?
PORQUÊ?
Ah, já nem sei o quê falar
As palavras fugiram da minha boca
As letras desapareceram do meu cérebro
A única coisa que eu tenho em mente é:
Me perdoa querida.
Prometo não falar mais nada sem pensar.
Prometo a não voltar a te ferir.

Estou disposto a sofrer contigo
Todas as tuas dores
E no sargento do amor
Terás abrigo no meu coração
E se algum dia te ver a cair
Te darei a mão.


Rui Delgado

terça-feira, 25 de setembro de 2007

कुएरिदा!!!!!!!!!!!

Cavalguei Ribeiras
Subi encostas
Encostas desci.
Por todo o lado andei
Por toda a gente tropecei
Já cansado, te encontrei.

Me pareceste uma princesa
Linda, a bela adormecida.
Me pareceste uma estrela
Que para mim luzia.

Destraz dos seus olhos
Esconde um paraíso sem fim.
Por ninguém ainda descoberto
Que só de pensar em ti, enfim
Já o visito, no momento certo.

És socego, calma
Boa vontade tranqilidade
Fortuna da alma
Sinal de felicidade.

Aos odores dos teus perfumes
Cheiram rosas, tão suaves
As tuas paixões são virtudes
Os teus amores, originais,
Nos teus beijos, me delicio
E nos teus abraços, abrigo dos temporais.

Olho a lua que vai nascendo
Sinto na pele uma brisa que vem do mar
E já sonho que vens correndo
Sentar comigo ouvir os grilos a cantar.

A lua brinca por demais
Mansa, serena, mas... saliente
o vento uiva nos milherais
A chuva afaga a nascente
E tu não me saias da mente

Gostar, gosto de muitas
Amar, amo só uma.
Mulheres me seduzem
Mulheres me iludem
Mas tu, oh mulher da minha vida
Me fizeste por ti enamorar.

O meu amor por ti, querida
Nasceu um dia
Na mais fresca matina
Como uma rosa, um gira-sol
Acabado de nascer n'alma minha .

Rui Delgado

POESIA

Com a arte de escrever
Em versos
faz-se diferentes gêneros de poemas.

Poesia é aquilo que acorda a sensação
do belo
Que há de elevado em qualquer ser humano.
É ter faculdade e inspiração
com caráter idealista.

É caminhar, seguir pelos encantos
do mar, da floresta, da noite, do luar...
do nascer e do pôr do sol...
do sorriso de singelo de uma criança.

Poesia é amar, é amar-se, é amor.
É expressar a nossa paixão,
a nossa dor e alegria em
palavras doces ou severas...

Poesia
É fazer de si, outrem
A poesia.


Rui Delgado

Quimera

Oh menina lindíssima
de fascinante labelito
atrevimento de raínha
pareces ter um jardim ilícito.

Nos conhecemos pouco tempo atraz
te pareci um meigo rapaz
sincero, cortez e atraente
e logo por mim apaixonaste.

À ti fizeste infinitas perguntas
sobre mim, quanto à mim, mas
não tiveste a total coragem
de te abrir com alguém.

Tens dentro de di um apelo
de atalhar essa solidão
de ir ao embate de um belo
achegado, arejar essa paixão...

Mas advogas sozinha
imaginas nós dois no alto mar
sonhas conosco no altar
povoado de alegria....

Depois o sonho se desfaz da sena
como uma leve melâncolia
restando agora, apenas
a minha imagem sombria.
Rui Delgado

estress I

O sol brilha, mas é fria.
O tempo está uma melâncolia.
As pessoas passam por minha
rua atarefadas e nunca me sorriam.

Eu, fico na minha janela debruçado
presenciando esse vai-vém agitado
das pessoas mergulhado no mundo do trabalho
estresse e cansaço, que pela vida vão mastigando.

Me aborreço às vezes ver pessoas
lutarem em azafama pelo pão de cada dia
e tu nem trabalhar ousas
e depois quer tudo de graça.


Rui Delgado

O AMOR QUEIMA.

Te adoro altamente.
Demasiado até
que assisto suficiente
ceder gratuitamente
a minha vida por ti.

Não aufiro me responsabilizar
um instante sem pensar em ti.
Apresento cânticos, subtilésias
delineamentos só para ti.
Concebo-te ao meu alcance.

Se eu perignar,
abalas conjectuar a minha omenorreia
e eu, o teu achaque.
Acompanhados, alamos aguentar
embora cada um na sua área
acreditando que um dia
voltemos a esbarrar
na avenida que nos conhecemos.
Compreendemos o caimento um do outro
lembramos dos momentos
severos e difíceis
alegres e acessíveis
das zombarias que fazíamos
e de repente o desamparo bate à porta.
Às vezes nos deixa somente tristes
mas outras vezes, nos ajusta a deplorar.
Mas chegará a jornada do reencontro.
E este será amplo para nós dois
E só assim declaramos que
O AMOR QUEIMA QUANDO ESTAMOS AUSENTES.


Rui Delgado

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Menino de Longe.

A minha famila é pobre.
O meu pequeno-almoço é
um pão e uma caneca de café
e a correr vou para a escola.
Chego cansado e assisto às aulas.
E fico na escola durante cinco horas.
E fico fora de casa durante muitas horas.
Não tenho dinheiro para comprar
um lanche na cantina
porque as fotocópias levam
todo o meu dinheiro.
Chego a casa, falta-me o apetite para o almoço,
embora esteja com fome.
Tenho que ajudar meu pai
na lavra a cuidar dos animais.
Tenho de ajudar a minha mãe
a carregar água ou lenha
e falta-me tempo para estudar.
É preciso dedicar-me aos estudos!
Tenho que me deitar com as galinhas
para que me possa levantar cedo.
Tenho que diminuir
os meus... tempos livres?
para que mais possa estudar.
Estudo talves o suficiente
mas para o professor, os meus
esforços são poucos.
Ele quer sempre mais;
mas não sabe, nem imagina,
o caminho que percorro
durante dez meses
debaixo do sol abrasante
entre o vento constante
e as horas que fico de estômago vazio.
A minha família é pobre.
O meu pai trabalha nas FAIMO.
A minha mãe é doméstica
e o dinheiro deles não dá
para quase nada.
Na época dos testes
quase não durmo
porque faço da noite o dia
e quando chega o fim do ano lectivo...
é mais um alívio
e preparar para o próximo.
Agora pergunto:
Porquê tanto sacrefício?
Eu poderia muito bem deixar
a escola e ir trabalhar nas FAIMO
e "bé te pta dia pe tréz".
Mas recuso isto para mim.

Eu quero ser alguém na vida
eu quero ser alguém nesta sociedade
porque isso é um sonho que eu tenho
e faço de tudo para o conseguir.

Rui Delgado

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

LEMBRANÇAS

Lentamente divago pelos pensamentos
E de repente me deparo em Cabo Verde
Santo Antão, propriamente.

Recordo-me indo à escola
Com os pés descalsos e uma sacola
Com o material escolar
A sorrir, a cantar , a pular.

Recordo da minha merada
Também da minha enxada
Das galinhas, minha cabra
E da minha casa de palha.

Recordo-me de Matinho-Dentro
Das travessuras quando criança
Assim como de Pedrente
E da casa da tia engraça.

Recordo-me das cantigas de ninar
Que a minha avó me cantava
Dos homens jogando ourim ou carta
Ou contando estórias do além-mar...

E me dá uma saudade
Da minha casa, do meu lar
Que começo a chorar
Querendo logo voltar
Ao meu ninho CABO VERDE!

Rui Delgado

de bóssa

Tude dia longe de bo ê de sodéde,
Cada minuto que ta passa, ê um recordação.
Bo de nhá lode ê Felicidéde!

Quando ‘m ta estode triste,
Sempre bô ê nha alento,
Quando ‘m ta otchá que m ta ‘stode mi so,
‘m ta oiá que bo ca ê um sonho ,
bô ta existi e bô e de minha.
Bô ta dam vida e bestente,
Bô ta vivê na meio de quej flor,
Nesse imenso jardim.
Bô perfume ê suave moda flor de lírio.

Bô presença on-line salva nha dia
Tcheu vez ‘m ta entra na MSN
‘m ta fca ta ‘sperobe,
Sô pa dóbe um OI e durmi suave.

Mesmo bô distante, m crê pa bo sabê
Que mi ê de bossa... sô de bossa.
E bo lugar na nha coração ta bem gordode.

Rui Delgado

terça-feira, 18 de setembro de 2007

EU SOU DE CABO VERDE!!!

Quando me vês
De traje diferente
Falando o crioulo
me perguntas geralmente:
ÉS DE ONDE?
Eu sou daquela terra cheia de morabeza
Sem minérios e sem riquezas
Daquela terra
de mulheres com crianças nas costas
Cochindo milho, catando lenha...
Eu sou daquela terra de Homens
Que todo o ano semeiam
Com esperança de boa colheita.
Daquela terra sem miséria,
pois tem um povo de muita firmeza.
Lá não tem ouro, nem diamante
Não tem floresta nem selva
Mas tem vales, praias e tem montanhas
Tem músicos e brilhantes poetas
Tem morna funaná e coladeira.
Eu sou daquela terra
Onde a paz reina e o amor queima
Daquelas ilhas do Atlântico
que nasceram quando
Deus sacudiu os dedos seus...
e surgiu o meu país.
Eu sou de cabo verde!!!!

Rui Delgado

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