Esta noite em minha cama
Entre os meus braços.
Vem para me dizer que eu sou seu
E que tu és minha.
Oh minha doce amada
Oh minha donzela
Foste tu que me tiraste
Das trevas
E me trouxeste À luz do dia.
Oh minha deusa
Estou desesperado.
Se um só dia não te ver
Parece-me um século
E quando apareces
É uma grande festa
É emoção
Vontade de te pendurar no pescoço
E te beijar o dia todo.
Quando vens dizer-me que me amas
As flores brilham
O meu rosto alegra-se
E as plantas crescem de alegria.
Mas quando digas que me detestas
As flores murcham
O meu rosto entristece
E o céu torna-se escuro.
Meu amor
O que eu fiz para merecer
Ser recusado desse jeito?
Por favor, diga-me!
Diga-me o que fiz
Para cair novamente nas trevas?
Não, não sabia que me farias assim.
Nunca pensei que a tua frieza fosse tanta.
O meu coração dispadece de tanto chorar.
Os meus sentidos perderam no espaço.
Fostes e me deixaste aqui sozinho
Como alguém sem pai e mãe.
Eu também estou órfão
Estou órfão de amor.
Fizeste-me sofrer
Fizeste-me perder os meus sonhos.
Perco e não consigo me encontrar.
Oh sol ardente e rubro
Oh lua nova, serena e branda!...
Oh mar tranqüilo.
Acudam-me, por favor.
Ouçam os meus brados
Porque estou perdido.
Foi tudo por causa de uma...
Mas...
Espera aí.
O que falei?
Não isso não é verdade.
Só poderia estar a sonhar.
Meu amor, abafa a minha voz
Sabes que se eu te deixar, ai de mim.
Mas porque é que não consigo me controlar?
PORQUÊ?
Ah, já nem sei o quê falar
As palavras fugiram da minha boca
As letras desapareceram do meu cérebro
A única coisa que eu tenho em mente é:
Me perdoa querida.
Prometo não falar mais nada sem pensar.
Prometo a não voltar a te ferir.
Estou disposto a sofrer contigo
Todas as tuas dores
E no sargento do amor
Terás abrigo no meu coração
E se algum dia te ver a cair
Te darei a mão.
Rui Delgado


Rui Delgado
